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Sexta-feira, Abril 13, 2007  
drops de andressa


Pois é, não tenho cumprido promessas satisfatoriamente. Então, nada de útil.

Já que o maviks club e o meu ouvido estão fazendo complô contra o meu sono, vou postar no blog!

O show do Chico está chegando, eu não aprendi a cantar uma música por dia. E nem vou mais.

A pele mais feia de todos os meus tempos está me assegurando um período de exílio voluntário. Não queria ver o Chico assim...

O prazo para ficar diva no vestido de diva aumentou um mês. Pensando bem, pode ser até pior, porque é capaz que eu engorde ao invés de emagrecer.

Das 15 páginas que li da Piauí, gostei de todas, inclusive da publicidade da Smirnoff Black que, se não me engano, ocupa duas dessas páginas...

Eu não quero viajar semana que vem. Vou perder quatro dias de estudos. E não vai ser divertido.

Sixpence none the richer no maviks não é uma boa idéia. Kiss me é tema de um filme adolescente com o Freddie Prinze Jr., que não é lá essas coisas. Não é uma boa trilha sonora para uma sexta à noite.

Olha o maviks se agitando... Satisfaction... I can't get no...

11:35 PM

Quarta-feira, Março 28, 2007  
Era para eu escrever sobre O Bom Pastor. Mas como os homens bonzinhos não fazem sucesso com as mulheres, quero falar de O Poderoso Chefão. Não que o Matt Damon faça o tipo bonzinho no filme, mas aquela cara de sonso dele tem toda a pinta de bonzinho em qualquer circunstância. E ele é da CIA no filme. Os bandidos sempre são mais interessantes... Porque o Sawyer faz mais sucesso do que o Jack, de Lost? Nem é necessário explicar. O que é o Al Pacino jovem? O que era o Marlon Brando - mesmo velho? O que é o Andy Garcia? O maior defeito de toda a trilogia é ter colocado a Sofia Coppola, com aquele nariz horrível e sem expressão para ser par do Andy Garcia! Os mafiosos me conquistaram...

Quando a preguiça se espreguiçar, eu escreverei quelque chose de útil aqui. Eu esqueci como se escreve prometo en français.

11:46 PM

Terça-feira, Março 06, 2007  
Cenas da indiferença


Domingo. Onze e pouco da noite, quase segunda-feira. A vizinhança dormia, assistia ao paredão do Big Brother, curtia o fim de noite no mais sereno silêncio. Um grito ecoa pelas redondezas. Não é nada de mais ¿ pensei. Mais um grito. Continuei assistindo à TV. O grito agora se configurava como um pedido de socorro. A voz era de mulher. Antes que qualquer coisa passasse pela cabeça, debrucei-me sobre o parapeito da varanda.

Não foi difícil localizar. A dois quarteirões do meu prédio, uma mulher estava embolada com dois homens. Eles rolaram no meio da rua. Ela não parava de gritar por socorro. Havia uma pessoa ao meu lado e nós comentávamos que não tinha ninguém para ajudar a pobre mulher. De repente um motoqueiro passou devagar, sem dar muita importância à cena. Uma caminhonete chega a parar, porém ninguém sai do veículo.


Não parecia um assalto, pela maneira como eles se engalfinharam. Pensei em estupro. Dois bêbados num fim de noite, uma mulher andando sozinha na rua. O mais estranho foi que após os gritos, os três atravessaram a rua e seguiram na mesma direção. Não posso dizer que estavam juntos ¿ nem o contrário. Você que está lendo esse texto pode estar pensando: tá, e daí?


A violência é tão corriqueira, que estamos habituados a vê-la enquadrada na televisão diariamente. Sabemos, também, às vezes até na própria pele, que ela está presente em qualquer lugar. Mas na noite calada, os gritos ecoam mais alto, sem o movimento caótico do dia, sem buzinas e motores de carros, eles entram pela janela, tiram você de frente da TV e provocam uma série de sensações.

O que é que alguém poderia fazer? Chamar uma ambulância? A polícia? Eu não sei. Só sei que o fato de os três saírem daquele cenário, aparentemente, juntos provocou a pior da sensações em mim. E se aquilo fosse um golpe? A mulher indefesa sendo violentada, ao provocar a pena dos motoristas ou transeuntes, poderia ser a isca de um assalto. Eu não tenho a resposta para isso.

Mas e se ela realmente estivesse sendo violentada e cada uma das pessoas que foi atraída pelos gritos pensasse que outra iria ajudar? Eu não posso responder a essa questão. Eu mesma não fiz nada. Eu ainda desconfio do golpe. E sei que a explicação pode ser outra completamente diferente. O que será dessa mulher agora? Eu não sei. Só sei que não fiz nada.

5:35 PM

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007  
Little Children


Pecados Íntimos é um pecado até no nome (!) O filme de Todd Field começa até que bem, apesar do recurso da narração. Na minha humilde opinião, uma voz narrando uma história indica que o diretor não teve capacidade de contar a história com imagens. O filme se desenrola num pacato bairro, repleto de famílias hipócritas, cada qual com seus pecados.

Kate Winslet é Sarah, esposa insatisfeita, mãe da pequena Lucy. Mora numa casa enorme, com a qual não se identifica, assim como não se identifica com o próprio marido. Marido que, aliás, diverte-se com pornografia na Internet. Pornografia adulta. A parte infantil já é o pecado de outro personagem. Logo chegaremos nele. Sarah freqüenta um parquinho com algumas mães quadradas e suburbanas.

Essas mães fazem o maior furor na presença de Brad, o pai desempregado e dedicado, que cuida do filho Aaron em tempo integral. Logo ele conhece Sarah e, numa brincadeira, para mexer com as mães que o apelidaram de rei do baile, os dois acabam por se beijar. A inusitada situação é fatal. As vidas sem graça de Sarah e Brad entram em ebulição com a pequena novidade.

Kathy, a belíssima Jennifer Connelly, é a esposa trabalhadora de Brad, que cobra do marido que ele passe no exame da ordem dos advogados. Mas Brad só está atrás de emoção e o que aparece na frente nesse sentido ele agarra, às vezes, literalmente. É assim com o time de futebol americano, com Sarah e com o patético skate. Daí para o adultério é um pulo.

Há o pedófilo recém liberto da cadeia, hostilizado por todos da vizinhança. A cena em que, desesperadamente, os pais tentam tirar os filhos da piscina pública porque o pedófilo entrou é chocante. A ameaça representada por um homem franzino, até mesmo frágil, diante de dezenas de pessoas é ínfima. Entretanto, ninguém quer passar perto dele.

Larry é o ex-policial problemático que persegue e perturba Ronnie. Além deste pecado, que note-se bem, só se torna um pecado quando Larry provoca uma tragédia ¿ até então era um discurso moralista aceito como correto, pelo roteiro moralista, obviamente. O verdadeiro pecado de Larry era a culpa por um mal entendido que fez com que ele perdesse o distintivo de policial.

Sem méritos maiores na direção, muito menos no roteiro, Pecados Íntimos é um retrato de uma sociedade moralista. O maior dos pecados do filme é o adultério, comparado à Madame Bovary, uma referência para lá de ultrapassada. Pobre Flaubert. O texto dele não é defasado, mas poderiam ter pensado em algo mais criativo.

O filme tem uma premissa, a da infelicidade. Todos procuram soluções para uma vida mais feliz. No adultério, na pornografia na Internet, na pedofilia... Mas essas ações têm conseqüências drásticas. E os personagens procuram se punir, como castigo pelos pecados que vêm cometendo. Esse é o maior pecado do filme. O tom absolutamente moralista que fica mais do que claro no final. Aqui, os castigos de cada um não serão mencionados, para você que prefere perder seu tempo e dinheiro vendo esses Pecados Íntimos.

11:25 PM

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007  
sem cartão de crédito
sem carteira de estudante na temporada do Oscar
sem declaração de matrícula da UFC
sem matrícula na UFC
sem orientador de monografia
sem idéias para atualizar o blog
sem vontade de pular carnaval
sem coragem de escrever a matéria
sem quilinhos a menos
sem vontade de ir à reunião de daqui a pouco
sem coragem de me arrumar para a reunião
sem saco de procurar mais clínicas de RPG
sem algumas outras coisas impublicáveis
sem parar de pensar nisso
sem perspectiva de melhorar
sem planos B
sem fim.

3:05 PM

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007  
Farofa, café e história

- Mas o que é União Soviética, hein?

- Ih, eu não vou te explicar, não. (a coitadinha faz cara de cachorrinho abandonado) Bom, tudo começou com a Revolução Russa de 1917. Já ouviu falar em Lênin?

- Não.

- Ele era o mentor, mas morreu logo. Aí veio o Stálin.

- Sttt o quê?

- Stálin. Durou uns 50 anos à frente da União Soviética. Pois é, incluía os países do leste europeu, Estônia, Letônia, Lituânia, Cazaquistão, Azerbaijão, Ucrânia, Polônia...

- Nunca ouvi falar.

- Ahhh. Tinha a Alemanha Oriental também. Na Alemanha você já ouviu falar?

- Claro. A Copa do Mundo foi lá. Dãa.

- Aí tinha o muro de Berlim, que caiu em 89. Você já ouviu falar em Guerra Fria?

- Não, mas já ouvi falar em bóia-fria.


Nesse ponto ela gargalha, e eu já não sei mais o que dizer. Adoro crianças.

12:28 AM

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007  
Reviravoltas


***Horas e horas deitada numa espreguiçadeira branca e dura, em frente a uma piscina gelada, observando um pedaço do céu entre dois prédios. Assim descobri que o mundo é pequeno. Sempre achei que o céu não tinha fim, mas ali a idéia se dissipou, como as nuvens cinzentas, zanzando até que eu chegasse a essa conclusão.


***Acho que me lembrei disso hoje, porque é o aniversário da pessoa que estava comigo naquele momento. E eu nem falo mais com essa pessoa.


***O título do post está propositalmente no plural. Mas eu não quero falar sobre isso.


***Não sei se mudou tanto assim, só que está muito pior. De repente, todos os problemas ficam maiores, tudo vira problema. E nada de bom no meio. De repente, a segunda-feira e o sábado parecem iguais. O que diferencia os dias da semana é a expectativa que se tem em cada um. O melhor da segunda-feira é saber que o sábado vai bombar. Quando o sábado não bomba, o que diferencia os dias é o quanto você leu. De agora em diante, a meta é quebrar recordes. Não agüento mais expectativas. Não quero querer absolutamente nada.

11:28 PM

Terça-feira, Janeiro 30, 2007  
Neve


Ka logo sentiu que eles iriam fazer amor até de manhã, ainda que Turgut bei estivesse sob o mesmo teto. "Foi a mais sublime surpresa tomá-la nos braços sem antes sofrer a agonia da espera. Sua longa noite de amor levou Ka a um lugar para além dos limites da felicidade; ele estava fora do tempo, fora do alcance de toda aflição; lamentava apenas ter levado a vida inteira para descobrir aquele paraíso. Sentiu uma paz que nunca sentira antes. Esqueceu as fantasias sexuais guardadas no fundo da mente, as imagens pornográficas das revistas. Enquanto fazia amor com Ípek, ouvia uma música dentro de si, uma música que nunca ouvira antes, nem sequer imaginara, e deixando-se levar por suas harmonias conseguia achar o seu caminho.


De tempos em tempos ele adormecia e sonhava com férias de verão banhadas numa luz celestial; ele corria livre, ele era imortal; seu avião estava prestes a cair do céu, mas ele comia uma maçã, uma maçã que nunca iria se acabar, uma maçã que duraria para sempre. Então acordava para o cálido aroma de maçã da pele de Ípek. Guiado pela luminosidade da neve e pelo brilho pálido das lâmpadas dos postes, aproximava os olhos dos dela e tentava ver dentro deles; ao vê-la acordada e observando-o em silêncio, teve a sensação de que eles eram duas baleias aquecendo-se lado a lado na água rasa; só então percebeu que estavam de mãos dadas."

[Trecho de Neve, de Orhan Pamuk]


***Eu também quero.



12:46 AM

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007  
Quando a circunstância do mundo redunda em flor, a vida só pode ser poesia


Mirtes Brígido é um girassol, antes mesmo de explicar por quê. O que dizer de uma senhora abraçando um grupo de desconhecidos tão docemente? Suave redundância: vestindo uma camiseta amarela, com três flores, Mirtes nos recebe no seu aconchegante lar e, em pouco mais de duas horas, conta-nos, com uma voz serena, algumas minúcias de uma vida iluminada.

Mirtes é prosa, poesia, música. É Clarice, Patativa e Tchaikovsky. É um pouco da tia que morreu de amor e muito de cada uma das pessoas que viu sucumbir. No quarto do som, entre fotos e máscaras, ela abre suas memórias, e revela as figuras ubíquas na sua alma. O mural repleto de fotografias lembra-a da luta do dia-a-dia. Ela não quer mais preenchê-lo com fotos dos saudosos amigos soropositivos.

Mas quem é essa gentil guerreira? Cearense do Crato, nasceu em 1941. Lembra a sensibilidade do pai, "a figura mítica", que não tinha medo de chorar. Já a mãe "é um departamento carinhoso da minha alma". Tem orgulho do avô que, graças à amizade com o Padre Cícero, de roceiro, passou a tabelião e foi o responsável pelo testamento do padre.

Moça à frente do seu tempo, brincava com os meninos. Valentia nunca lhe faltou: engoliu uma piaba viva e um coração de beija-flor para poder participar das peripécias dos garotos. Apaixonara-se pela literatura, e queria morrer de amor como Marguerite Gautier. Mas Mirtes não é camélia, é girassol.

De espírito revolucionário, chegou ao curso de Direito da Universidade Federal do Ceará cheia de sonhos do interior e, logo, engajou-se no movimento estudantil. Trouxe consigo uma alma impregnada de ideais socialistas junto com seu anjo da guarda. Kiwi levou muito tempo para ser batizado. Um dia, comprando oferendas para a Igreja Messiânica, pegou num kiwi e, de súbito, teve o ímpeto definitivo de batizar o anjo.

"Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás", Mirtes cita Che Guevara, descrevendo-se. Porém, o sonho socialista ficou no plano da utopia. Ela se casou "ideologicamente" e teve dois filhos. Ambos "policiais, mas humanos". A dicotomia se perpetua. Muito antes dos papéis do divórcio, a incongruência dos cônjuges era irreconciliável. "Foi cômodo para mim ficar em casa lendo Marx e ouvindo Beatles", enquanto o marido "se perdeu nos rótulos dos bureaus do Banco do Brasil".

Mas Mirtes despertou para o sonho. A utopia ainda era possível. As experiências com pacientes de oncologia e a viagem à Itália contribuíram com a concepção do Projeto Girassol. "Abraçar quem está morrendo é tão importante quanto acolher quem está nascendo". Mirtes viu no surgimento da AIDS uma guerra, e a ternura pelos gravemente enfermos levou-a a sorrir para um novo grupo de oprimidos. A grande revolução foi perceber que "os voluntários de hoje são os ativistas de ontem".

"Antes éramos apenas valquírias, agora encaminhamos pessoas às barricadas". A luta dos girassóis não é mais recolher os tristes cavaleiros derrotados, mas melhorar a qualidade de vida dos soropositivos. Os pacientes do Hospital São José recebem atenção, carinho e companhia. Há casos de alegria, como a vontade de ser mãe, cujo resultado foi uma garotinha chamada Mirtes Vitória. Um pleonasmo, como sugeriu um amigo de Mirtes. Mas "a alegria é efêmera".

E ela tem muitos exemplos das agruras da vida. "Estou muito íntima hoje, é o entardecer". Estávamos todos. Sim, Mirtes, "há uma carência de girassóis nos canteiros da vida". Ela é certeira no olhar e nas palavras. Não há como escapar do "amor como revolução". Em meio a muitas contradições, todo mundo é "anjo e demônio". Afinal, uma mulher tão preocupada com os outros tem direito de tomar cerveja até o amanhecer.

Tem o direito de se apaixonar, também. E de sofrer. Mas quem entende que "a beleza é triste" sabe lidar com o sofrimento. Numa pincelada de candura, ela conta que daqui a cinco anos deveria se chamar Lourdes. Não. Mirtes vem do grego, da planta murta, tão digna, que era usada como grinalda e quer dizer triunfo. O nome lhe cai bem. Essa senhora tem medo de "ficar sem essas pessoas, sem esse mundo". Mas é esse mundo que deve temer perdê-la.

6:13 PM

Domingo, Janeiro 21, 2007  
Sublimei demais em outras coisas e não está sobrando nada para sublimar aqui, pode?
3:21 PM

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007  
Globo de Ouro


A premiação foi tão interessante que a melhor observação que tenho a fazer é: quando o prêmio mais emocionante da noite é o Cecil B. de Mille, fique feliz, você conhece pessoas consagradas do cinema. Mas quando você conhece o premiado e muita coisa da obra dele, fique triste. Você está ficando velho.

12:26 PM

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007  
De Maria das dores à Maria do socorro, a mulher que converteu lamúrias em vitórias



Nasceu Maria, da Penha, das dores, dos amores, de Fortaleza, das meias soquete e sapatinho boneca, do batom nas clandestinas idas ao cinema, do pingue-pongue depois da aula, das brincadeiras de rua, da disciplina ensinada pelos pais, das peripécias com as irmãs. Mais uma Maria, senhora soberana, como a origem hebraica, da vida. Essa Maria bela que, mesmo sexagenária, conserva a pele angelical, de rainha dos calouros nos tempos de faculdade.


Ela tinha tudo para ser mais um daqueles retratos sorridentes nas paredes familiares. Primeiro com as filhas, depois, empoeirado num cantinho, com os netos. Seguindo os conselhos da avó, mulher forte, Maria estudou para ser farmacêutica. Não deu nome a uma farmácia, mas foi longe, e chegou a um mestrado na USP. Lá, a vida lhe sorriu. Conquistou Viveros, o amor e o algoz. A educação recatada levou-a, assim como as amigas, a vê-lo como um homem ideal. A ardilosidade dele era irresistível.


Contudo, a felicidade é um lampejo e não tem hora para voltar. Maria também é mágoa, e amargura. Paulatinamente, o retrato sorridente foi perdendo as cores. Três meninas preencheram-no. Naturalizado brasileiro, o colombiano Viveros não precisava mais do dinheiro e do amparo da esposa. Ela fala serenamente dos infortúnios sucedidos antes e depois do tiro no escuro, o estampido inesquecível que privou-a do alvedrio. Para o próprio desprazer, passou a viver ao bel-prazer de Viveros.


Aos poucos, reuniu forças e magnitude até ser uma montanha, Penha. O alicerce, o amor pelas três outrora pequeninas, de quem ela fala com a mais tenra doçura. Aquela Maria frágil, que não sabia como revelar ao mundo as máscaras da falsa felicidade, que não sabia nem entendia nada do movimento de mulheres, feneceu. Maria da Penha não varreu a mentira barata do marido homicida para debaixo do tapete. Gritou a voz feminina, inaudível na sociedade e justiça machistas.


Penha viu a viscosidade do marido escapar pelas brechas da lei em dois julgamentos. Resistiu. Redigiu a própria carta de alforria, na qual cada lamento tornou-se mais um mecanismo de protesto, culminando no livro Sobrevivi... Posso contar. Organizou uma prova inconteste de que em briga de marido e mulher se mete, sim, a colher. Só titubeia quando indagada sobre o período de reabilitação no Hospital Sarah Kubitschek.


Voltar à vida é tremendamente mais doloroso que o passo da morte. Lembrar-se de como recobrou os movimentos, de como era difícil realizar atividades aparentemente banais, como escovar os dentes, isso Penha prefere guardar nas páginas do livro. De Viveros, fala com a serenidade conquistada ao longo de 23 anos de luta. Consegue rir, mesmo sabendo da prisão perpétua sentenciada por ele. É que ela venceu. Maria da Penha virou lei.


Depois de clamar por justiça, os direitos humanos falaram mais alto. Prometeram-lhe duas indenizações. Da material, nem sinal. A simbólica é a lei. Mas não só. Penha quer ver a lei funcionando, fica orgulhosa quando tem notícia de que um marido foi preso por agressão. De Maria das desgraças próprias, passou a Maria das graças das mulheres violentadas. Hoje, ela é Maria do socorro, Maria auxiliadora, Maria da glória, Maria celeste, Maria dos anjos, Maria das graças, Maria da Penha.

12:11 AM

Sábado, Janeiro 06, 2007  
Eu, quase uma autoridade do kitsch, ando sucumbindo à arte da felicidade, para minha infelicidade. Trocando em miúdos: A Casa do Lago, lançamento nas locadoras, filme com a Sandra Bullock (argh) e Keanu Reeves (uiuiuiui) foi a sublimação da noite de ontem. Depois de uma longa discussão com os amigos sobre (in)felicidade, depois de ser chamada de melancólica feliz, depois de tudo isso, eu consegui me provar, ao menos, que sou, no mínimo, masoquista. Por quê?

O filme é fofo, do início ao fim. Só é triste se lembrar dos boatos sobre a sexualidade do Keanu. Enfim, o filme. Eu posso provar o quanto é kitsch, ser uma diluição do romance Persuasão, de Jane Austen é o primeiro indício. Saber antecipar boa parte dos fatos é outro. E quanto aos efeitos? Ser fofo a priori é kitsch no último. Mesmo assim eu recomendo o filme. Só assisti porque o trailer fica meigo com a música do Keane. Aliás, a música nem está na trilha do filme.

Resultado: eu fui dormir feliz, mas me sentindo pior, porque ao acordar, não tinha Keanu, nem Alex Wyler, nem a casa do lago como prêmio de consolação. Adorno e Horkheimer tinham razão: a indústria cultural coloca essas situações lindas e fofas, que nunca vão acontecer com você, parecendo reais a ponto de você achar que podem acontecer. O problema é que eu gosto de mergulhar fundo nas mentiras da indústria cultural. Segundo Adorno (1947), eu sou uma alienada. Segundo Freud (?), bem, isso eu prefiro não publicar.

9:29 PM

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007  
# Eu não vi os dois filmes, logo, não bati o recorde de 2004.



# Em 2007, pretendo ver mais filmes.



# Motivos profissionais, claro, porque estou atrás de tudo o que é cult.



# Em 2007, serei uma jornalistinha e pequisadorinha.



#Preciso escrever e arrumar um agente, porque agora quero todo o glamour discreto da vida de um escritor-que-escreve-no-laptop-na-mesa-de-um-café-em-Paris.



# Eu sou pior do que eu pensava.



# Preciso abolir as frivolidades da minha vida, já que não sei fazer uso delas.



# Eu não preciso mais de tempo livre, porque agora, a monografia terá meu sangue.



# Virou uma questão de honra.



# Preciso deixar de ser pseudo-patricinha.



# Preciso deixar de ser um monte de coisa, para me tornar um bocado de outras coisas também.



# O porquê dessas resoluções pós-réveillon? Não vem ao caso, porque me lembra os dois coquetéis de frutas, as seis caipiroskas de siriguela, um gole de cerveja, uma taça de champanhe, uma caipirinha de siriguela e outra de tangerina. Pois é, isso definitivamente não vem ao caso.



# Ah, feliz ano novo.

1:21 PM

Sábado, Dezembro 30, 2006  
Filmes de 2006: entre os vistos pela primera ou enésima vez. Depois eu completo com os dois que ainda vou assistir para bater o recorde pessoal de 158 filmes em 2004. A cotação é em asteriscos mesmo, porque não dá para falar de todos. Em 2007, sai a lista comentada dos melhores do ano.

1. Munique *****
2. Sin City *****
3. A Intérprete **
4. Amor à flor da pele ****
5. Taxi Driver *****
6. Alice no País das Maravilhas ****
7. Efeito Borboleta ****
8. O Anjo Exterminador *****
9. O Segredo de Brockeback Mountain ****
10. Boa Noite e Boa Sorte *****
11. Syriana ¿ A Indústria do Petróleo ****
12. A Marcha dos Pinguins ***
13. Capote *****
14. Match Point *****
15. Orgulho e Preconceito *****
16. Flores Partidas ***
17. 2046 ¿ Segredos do Amor ****
18. O Plano Perfeito *****
19. A Máquina ***
20. Quero ficar com Polly **
21. Kinsey ****
22. O Clã das Adagas Voadoras ***
23. Fim de Caso ****
24. Disque M para matar ****
25. Kika *****
26. A Marca **
27. Neblina e Sombras ***
28. Hora de Voltar *****
29. Amor Obsessivo ***
30. Barry Lyndon ***
31. O Virgem de 40 anos ****
32. Sem Notícias de Deus ****
33. Casablanca *****
34. V de Vingança ****
35. O Novo Mundo ***
36. Sob o Domínio do Mal (refilmagem)*
37. Mulheres Perfeitas (refilmagem)*
38. Código 46 *****
39. Grande Menina, Pequena Mulher **
40. Albergue Espanhol ****
41. Tudo Acontece em Elizabethtown ***
42. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain *****
43. Uma Vida Iluminada *****
44. A Malvada *****
45. Faça a coisa certa ****
46. Morangos Silvestres *****
47. Waking Life *****
48. Tão Longe, Tão Perto ****
49. Wimbledon ¿ O Jogo do Amor ****
50. Bridget Jones: No Limite da Razão **
51. Sexo, Amor e Traição *
52. Paradise Now ****
53. Missão Impossível III **
54. O Código DaVinci **
55. A Mão que Balança o Berço **
56. Boleiros: Era uma vez o futebol ***
57. Garota Veneno *
58. Invierno en Bagdad *
59. Meninas ****
60. I want you (curta) **
61. Barrio Cuba **
62. Super Flufi (curta) *
63. Através das Grades (curta) **
64. Doce Amargo Infinito (curta) *
65. Torrente de Paixões ****
66. Alfie ¿ O Sedutor (refilmagem) **
67. Os Homens Preferem as Loiras ****
68. Como Agarrar um Milionário ****
69. Iluminados por el fuego ****
70. Os três porquinhos (curta) ****
71. A última fábrica (curta) ***
72. Marilza e a lata de leite condensado (curta) **
73. Dançando no Escuro *****
74. Hannah e Suas Irmãs ****
75. O Xangô de Baker Street *
76. Manhattan *****
77. Contos de Nova York ****
78. Tristão e Isolda ****
79. Apenas um Beijo ****
80. Piratas do Caribe: O Baú da Morte ****
81. Um Herói do Nosso Tempo *****
82. Persona *****
83. Por uma vida menos ordinária *****
84. O Homem que Copiava ***
85. Fuso Horário do Amor ***
86. O Operário ***
87. Sr. & Sra. Smith **
88. Em Nome de Deus **
89. Haifa *
90. Obrigado Por Fumar *****
91. Transamérica ***
92. Um Crime de Paixão **
93. Oldboy *****
94. Jules e Jim ¿ uma mulher para dois ****
95. Desde que Otar partiu... **
96. Querida Wendy ****
97. Falsária **
98. Feira das Vaidades ***
99. Paixão de Aluguel *
100. O Mercador de Veneza ***
101. Quarteto Fantástico *
102. Casanova **
103. A Noiva Estava de Preto ****
104. Amor em Jogo ***
105. Galera do Mal ****
106. Cenas de um Casamento *****
107. Crash ¿ No Limite ***
108. O Diabo Veste Prada ****
109. Grandes Esperanças ****
110. Um Príncipe em Minha Vida **
111. O Chamado 2 **
112. Star Wars III ¿ A Vingança dos Sith **
113. Desventuras em Série *
114. A Igualdade é Branca ****
115. Encontro de Amor **
116. O Vôo da Fênix *
117. O Mundo de Jack e Rose ****
118. A Fraternidade é Vermelha *****
119. Assalto ao 13º DP ****
120. Entrando Numa Fria Maior Ainda *
121. Dália Negra ***
122. Vôo United 93 *****
123. A Criança **
124. Edukators *****
125. Carne Trêmula ***
126. Sarabanda ****
127. Celebridades ***
128. Fanny e Alexander *****
129. O Segredo de Vera Drake **
130. Tudo Sobre Minha Mãe ****
131. O Senhor das Armas ****
132. O Bebê de Rosemary *****
133. Volver *****
134. O Grande Truque ****
135. Os Infiltrados *****
136. A Fonte da Vida ***
137. De Salto Alto ****
138. Guerra dos Mundos **
139. Treze Dias que Abalaram o Mundo *
140. A Outra Face da Raiva **
141. Arizona Nunca Mais ***
142. Os Irmãos Grimm *
143. Contra a Parede *****
144. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças *****
145. A Igualdade é Azul ****
146. Star Wars IV ¿ Uma Nova Esperança ***
147. Honra & Coragem **
148. A Janela da Frente ***
149. Harry Potter e o Cálice de Fogo ****
150. O Castelo Encantado ****
151. Redentor *
152. 2 Filhos de Francisco ****
153. O Amor Não Tira Férias **
154. Cassino Royale *****
155. Camisa de Força ***
156. Em Seu Lugar ***
157. Antes do Amanhecer *****

12:00 PM

 
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