Trova do Poeta de Vanguarda ou The Medium is the Massage [José Paulo Paes]
se me decifrarem
recifro
se me desrecifrarem
rerrecifro
se me desrrerrecifrarem
então
meus correrrerrecifradores
serão
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Era para eu escrever sobre O Bom Pastor. Mas como os homens bonzinhos não fazem sucesso com as mulheres, quero falar de O Poderoso Chefão. Não que o Matt Damon faça o tipo bonzinho no filme, mas aquela cara de sonso dele tem toda a pinta de bonzinho em qualquer circunstância. E ele é da CIA no filme. Os bandidos sempre são mais interessantes... Porque o Sawyer faz mais sucesso do que o Jack, de Lost? Nem é necessário explicar. O que é o Al Pacino jovem? O que era o Marlon Brando - mesmo velho? O que é o Andy Garcia? O maior defeito de toda a trilogia é ter colocado a Sofia Coppola, com aquele nariz horrível e sem expressão para ser par do Andy Garcia! Os mafiosos me conquistaram...
Quando a preguiça se espreguiçar, eu escreverei quelque chose de útil aqui. Eu esqueci como se escreve prometo en français.
:: Andressa Priscila :: 11:46 PM
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Cenas da indiferença
Domingo. Onze e pouco da noite, quase segunda-feira. A vizinhança dormia, assistia ao paredão do Big Brother, curtia o fim de noite no mais sereno silêncio. Um grito ecoa pelas redondezas. Não é nada de mais ¿ pensei. Mais um grito. Continuei assistindo à TV. O grito agora se configurava como um pedido de socorro. A voz era de mulher. Antes que qualquer coisa passasse pela cabeça, debrucei-me sobre o parapeito da varanda.
Não foi difícil localizar. A dois quarteirões do meu prédio, uma mulher estava embolada com dois homens. Eles rolaram no meio da rua. Ela não parava de gritar por socorro. Havia uma pessoa ao meu lado e nós comentávamos que não tinha ninguém para ajudar a pobre mulher. De repente um motoqueiro passou devagar, sem dar muita importância à cena. Uma caminhonete chega a parar, porém ninguém sai do veículo.
Não parecia um assalto, pela maneira como eles se engalfinharam. Pensei em estupro. Dois bêbados num fim de noite, uma mulher andando sozinha na rua. O mais estranho foi que após os gritos, os três atravessaram a rua e seguiram na mesma direção. Não posso dizer que estavam juntos ¿ nem o contrário. Você que está lendo esse texto pode estar pensando: tá, e daí?
A violência é tão corriqueira, que estamos habituados a vê-la enquadrada na televisão diariamente. Sabemos, também, às vezes até na própria pele, que ela está presente em qualquer lugar. Mas na noite calada, os gritos ecoam mais alto, sem o movimento caótico do dia, sem buzinas e motores de carros, eles entram pela janela, tiram você de frente da TV e provocam uma série de sensações.
O que é que alguém poderia fazer? Chamar uma ambulância? A polícia? Eu não sei. Só sei que o fato de os três saírem daquele cenário, aparentemente, juntos provocou a pior da sensações em mim. E se aquilo fosse um golpe? A mulher indefesa sendo violentada, ao provocar a pena dos motoristas ou transeuntes, poderia ser a isca de um assalto. Eu não tenho a resposta para isso.
Mas e se ela realmente estivesse sendo violentada e cada uma das pessoas que foi atraída pelos gritos pensasse que outra iria ajudar? Eu não posso responder a essa questão. Eu mesma não fiz nada. Eu ainda desconfio do golpe. E sei que a explicação pode ser outra completamente diferente. O que será dessa mulher agora? Eu não sei. Só sei que não fiz nada.
:: Andressa Priscila :: 5:35 PM
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